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Companhias de Folias de Reis e Cultura buscam reforçar diálogo

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A Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas recebeu nesta terça-feira, 21 de setembro, o mestre Tião Mineiro, da Companhia de Folia de Reis Ases do Brasil, e o mestre Anésio, da Companhia de Folia de Reis São José Operário. Ambas as companhias atuam em Campinas há muitas décadas e fazem as saídas das bandeiras das Folias de Reis, anualmente.

“O encontro teve como objetivo planejar as saídas das companhias quando tradicionalmente ocorrem as brincadeiras de folias de reis. Também conversamos sobre abrir diálogos para construções conjuntas de todas as companhias de folias de reis da cidade com a Secretaria de Cultura e Turismo”, explicou o diretor de Cultura, Gabriel Rapassi.


Em Campinas, a Folia de Reis é reconhecida e registrada como Patrimônio Cultural Imaterial nos termos da lei 14.701 de 2013, que criou o Programa Municipal de Patrimônio Cultural Imaterial. O programa tem como objetivo promover e proteger o patrimônio cultural imaterial da sociedade campineira por meio de inventários, registros e planos de apoio, fomento e salvaguarda.

São seis as Companhias de Reis no município de Campinas: Estrela Guia, Voz do Oriente, São José Operário, Ases do Brasil, Grupo Folclórico Campinense, Mensageiros do Oriente. 

Em Campinas também ocorrem dois Encontros de Bandeiras: no Centro Cultural Casarão/Casa do Patrimônio, no 1º domingo de dezembro, desde 2008, e na Asfrecam – Associação de Folia de Reis de Campinas/Vila Castelo Branco, no 3º domingo de janeiro, desde 1978.

Folia de Reis

A Folia de Reis é a celebração que ocorre no período que antecede o Natal e segue até o dia 6 de janeiro, o “Dia de Reis”.

A autora do estudo “As Companhias de Reis de Campinas – A folia como patrimônio cultural” inscrito no Livro das Celebrações, Marcela Bonetti, explica esse festejo popular.

Marcela, que é especialista cultural da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas, fez a pesquisa para submeter ao Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc). Ela cita em sua pesquisa a definição das Folias de Reis segundo o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo.

Marcela aponta: “As Folias têm versos próprios para pedir, agradecer e retirar-se, dando as despedidas. […] A Folia de Reis, representando os próprios reis Magos, sai angariando auxílios. Se percorre sítios e fazendas é Folia de Reis de Caixa, e se apenas o perímetro urbano, Folia de Reis apenas, ou Folia de Reis de banda de música, Folia de Reis de banda, Folia de reis de música. Com violões, cavaquinho, pandeiro e pistão, e tantã, cantam à porta das casas, despertando os moradores, servindo-se de café e/ou refeições”.

Segundo a especialista, existem diferenças entre as companhias, particularidades nos ritos, nas celebrações, formas de expressão de seus integrantes. Entretanto, nas festas, sempre se destacam a fartura e a generosidade da comunidade, a sensibilidade do devoto, que traz na Bandeira a recriação do gesto de sua ancestralidade.

Ela continua dizendo que os participantes realizam os Giros – peregrinações nas casas para receber a Bandeira, símbolo central das companhias, podendo ser compreendida como a representação material do rito, oportunidade em que distribuem bênçãos e recebem donativos para a festa de “Santos Reis”, referência aos três reis magos, Balthazar, Melchior e Gaspar.

Balthazar era rei da Arábia, de cor negra; Melchior, rei da Pérsia, de cor clara, e Gaspar, rei da Índia, de cor amarela, representando povos de toda cor e nação, levavam presentes ao menino Jesus. Essa explicação está em passagem bíblica, repleta de simbolismos e significados, em que os presentes dados – ouro, incenso e mirra -transbordam o imaginário popular como nobreza, fé e o perfume,  que indicava o sofrimento destinado aos profetas.

O Rito

Cantoria puxada pelo mestre ou embaixador, a qual é dividida em várias partes: Pedido de licença para entrar nas casas; Entrega da bandeira para a família; Pagamento de promessa dos devotos; Pedido da oferta; Agradecimento; Convite para a festa da chegada e Despedida da bandeira.

Saídas, Chegadas e Encontro de Bandeiras

As saídas se iniciam em Campinas no mês de novembro e se encerram até o fim de janeiro, porque ocorrem apenas aos fins de semana. E no dia 6 de janeiro é celebrado o Dia de Santos Reis, em todo o Brasil, marcado no calendário da Igreja Católica.

As companhias saem em seus Giros e realizam a festa na saída abençoando a partida do grupo, e ao finalizar o roteiro de visitas de casas, retornam para a festa de chegada. Nesta, celebram a chegada com fé e tradição, em homenagem aos Santos Reis.

Encontro de Bandeiras é o encontro de mais de duas companhias para a celebração e compõe também as práticas sociais dos grupos. Ocorre em diversas cidades, como um intercâmbio, em que um grupo convida outros, representando os diferentes municípios. 

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