Nossa Cidade
Você sabia? O 199 é a linha direta que opera 24 horas e protege Campinas nas ocorrências seja dia ou noite
O número 199 é muito mais que um telefone em Campinas: é a porta de entrada gratuita e ininterrupta para o sistema municipal de resposta a emergências. Operado 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive nas madrugadas e feriados, a linha registra uma média de 2.800 ligações por mês — em dias normais, são entre 30 e 40 chamadas diárias, número que pode aumentar dez vezes em períodos de chuva intensa.
Da sala de monitoramento, onde câmeras vigiam pontos críticos como a Avenida Princesa d’Oeste e a Orosimbo Maia, uma equipe treinada decide o acionamento de viaturas e órgãos parceiros, publicando alertas em tempo real.
Perfil das emergências
De 2020 a 2025, os registros mais frequentes foram:
Quedas de árvores: 2.688 ocorrências
Incêndios: 2.463
Imóvel em risco: 2.023
Alagamento em imóvel: 1.381
Muro em risco: 1.023
Os dados mostram oscilações anuais influenciadas pelo clima. Em 2023, ano de fortes chuvas, houve 954 quedas de árvores — contra 350 em 2025 (até novembro). Alagamentos também tiveram pico em 2023 (649), caindo para 69 em 2025. Já os incêndios atingiram o ápice em 2024, com 706 registros durante as queimadas na Serra das Cabras.
Histórias de quem atende
Elton Roberto Papa e Ester da Silva Pinheiro, atendentes há cerca de 10 anos, vivem jornadas intensas. “Nós fazemos as publicações e o monitoramento dos alertas, além dos atendimentos. Principalmente nos dias mais corridos é muita emoção, não sabemos o que ‘vamos receber’”, diz Elton. Para ele, o pior momento foi a microexplosão de 2016, com fila de mais de 20 ligações. Esse fenômeno climático extremo atingiu a cidade em 5 de junho de 2016 e foi caracterizado por ventos de alta intensidade (cerca de 100 km/h), além de muitos raios.
“Foi bem tenso”, confirma Ester, que também lembra de tragédias como mortes por alagamentos na Princesa d’Oeste. “Atendemos pessoas no momento mais frágil. Às vezes é difícil abrir ocorrência porque a pessoa não se acalma.”
Sueli Castiglieri, coordenadora de Monitoramento, relembra uma moradora gritando que a água subia em sua casa. “Tentei acalmá-la, disse que a equipe estava a caminho.”
Há também situações inesperadas. “Tem gente que liga pedindo gás ou reclamando do telefone”, conta Ester, entre risos. E outras, inusitadas, como uma ligação atendida por Ester em que a moradora falava com o 199 e ao mesmo tempo pedia para o filho segurar o chinelo para a água não levar.
Decisões que salvam vidas
Mara Regina Valim, chefe de setor com 19 anos na Defesa Civil, enfatiza a importância do discernimento. “Temos que ver o que é prioridade.” O rádio é seu fiel companheiro de trabalho. É por ele que se comunica com as equipes da operação.
Ela lembra uma situação crítica em que atendeu. Quatro pessoas estavam trabalhando em uma obra, dentro de um buraco e acharam que a área podia ceder. “Falei para o agente correr, e depois ele me disse que foi essencial, porque ia desbarrancar tudo”.
Sueli complementa: “Às vezes a pessoa diz que ‘não é nada’, e ao chegarmos, é algo gravíssimo. Teve um caso em que uma senhora relatou que sua casa estava com umas rachaduras pequenas, que queria a ajuda da Defesa Civil. Ao chegar lá, os agentes se depararam com rachaduras tão grandes que cabiam uma mão”.
A avaliação técnica pode interditar imóveis — e isso gera receio. “Muitos têm medo de pedir vistoria porque podemos interditar até que o risco seja sanado. Mas atestar o risco salva vidas”, explica Sueli. Mara destaca a confiança da população: “A Defesa Civil é um nome forte. É uma instituição que funciona 24 horas e destrincha cada demanda”.
Sistema pioneiro e integrado
Segundo Sidnei Furtado, coordenador regional da Defesa Civil, o 199 de Campinas foi o primeiro na Região Metropolitana e um dos pioneiros no Estado. A linha segue a Classificação Brasileira de Desastres (Cobrade), que define as ocorrências atendidas — desde desastres geológicos e hidrológicos até incêndios urbanos e transporte de produtos perigosos. “Temos um trabalho de muita qualidade com a IMA (Informática Municípios Associados), que prepara atendentes especializados, e um sistema automatizado que agiliza o registro e o encaminhamento”, afirma.
Quando ligar para o 199?
A Defesa Civil atua em emergências relacionadas a desastres, como:
- Erosões, inundações, alagamentos e enxurradas;
- Tempestades, temperaturas extremas, estiagem e baixa umidade do ar;
- Incêndios florestais e urbanos;
- Quedas de árvores em situações de risco;
- Rachaduras, muros ou imóveis com risco de desabamento;
- Desastres com produtos perigosos ou contaminação.
Para demandas não emergenciais, como poda de árvores, a orientação é contatar a central 156. “A Defesa Civil começa um processo que se desdobra em várias áreas — assistência social, habitação, urbanismo —, mas é crucial que a população saiba quando nos acionar”, finaliza Sueli.